Algo sobre “Black blocs”

fev 10th, 2014 | By | Category: Pitacos

 

“Os Black blocs apresentam suas armas, ações intransigentes, máscaras, ódio incandescente, e a determinação de não deixar o capitalismo prosperar.”*

Vemos no Brasil, desde as manifestações de 2013, a atuação de uma tática que se denomina “Black blocs”. Não são um grupo, eles não têm uma liderança (ou dizem que não têm). Têm apenas uma ideologia que é totalmente contrária ao capitalismo e, como protesto, costumam chamar a atenção da sociedade destruindo símbolos do capital e provocando a Polícia e a ordem estatal.

Ganharam ainda mais destaque quando um jornalista de uma rede de televisão brasileira foi atingido por um artefato que teria sido deflagrado por um ativista.

Deveria ser claro para qualquer um, que a ações dos “Black blocs” desafiam a lei brasileira. Há uma grande diferença (enorme) entre manifestar e destruir os patrimônios público e privado e, ainda mais, há uma grande diferença entre manifestar e transformar a cidade em uma praça de guerra. Já tem gente que defende a anistia aos “Black blocs”, imaginando que eles são sinônimos da democracia e lutam contra uma nova Ditadura que estaria por se instalar.

Devem lembrar estas pessoas, entretanto, que na Ditadura não existem opções. É apenas a vontade autoritária de um grupo que se impôs no Poder. Eles têm opções. Vivem num país democrático (mesmo que não acreditem nisso). E o que eles poderiam fazer é aprender a utilizar essa democracia a seu favor. As coisas podem não mudar num estalo de dedos, mas temos e eles também têm esta chance (no mínimo) de dois em dois anos.

Claro que não é fácil vencer Partidos Políticos com ideologias ortodoxas e que estão no Poder há anos. Claro que não é fácil acabar com a corrupção, conseguir mais investimentos para a Saúde, para a Educação… Claro que não é fácil mudar a estrutura da Segurança Pública brasileira. Claro que não é fácil lidar com o poder da mídia, que só publica aquilo que lhe convém. Claro que não é fácil acabar com o Capitalismo, se é que isso atualmente é possível. Mas, há argumentos, há propostas e não é pela força, por mais bem intencionados que estejam, que se deve mudar a sociedade e toda a estrutura estatal existente, quando se tem instrumentos aptos e à disposição para tanto.

O que fazem, da forma que fazem, é crime, e devem ser investigados e punidos, ao final. Logicamente, não devem ser vistos como “não cidadãos”. Não são inimigos, não devemos cogitar o “Direito Penal do Inimigo”. Devem ser respeitados, devem ser tratados na forma que a ordem jurídica determina. Devem ser observados os princípios e regras constitucionais por todos os órgãos estatais, dentre estes a Polícia, uma das instituições alvo dos “Black blocs”. A Polícia deve agir utilizando a força apenas e caso necessário. O extraordinário, neste ponto, também é uma ilegalidade.

Manifestem, sim, manifestem cada vez mais. Mas, manifestação não é guerra. Não é agressão ao patrimônio ou a outro ser humano. Dizem que o Gigante acordou em 2013. Mas ele não acordou com a violência, com a truculência de alguns. Ele acordou pelos gritos pacíficos e indignados de milhares e milhares de pessoas em todo o país que desejam o melhor para esta terra.

*Perdoem-me, Herbert Viana e Bi Ribeiro, tentei fazer uma pequena brincadeira utilizando a ideia da música “Selvagem”, mas, reconheço, não ficou bom.

Thiago Oliveira

2 comments
deixe seu comentário »

  1. Haveria a Queda da Bastilha sem ações intransigentes? Há revolução sem sangue? Não! Entretanto, “Black blocs”, o alvo é outro.

  2. Às vezes fico pensando o que o povo poderia fazer!
    Fico indignado com a situação triste do Brasil, que convive em lamaçal de corrupção desde tempos remotos. Fico indignado também com nosso povo que se acostumou com tudo isso. O nosso país precisa de radical mudança. Nada nesse país funciona devidamente e aqueles que estão no poder há décadas e décadas continuam a manipular, corromper, usar indevidamente, roubar descaradamente… com a certeza absoluta da impunidade e investindo na estupidez do povo, na ignorância garantidora da continuidade dos privilégios escusos. O que esse povo carente de esclarecimento pode fazer? Ações como a desses “Black blocs”, não concordo. Não sei ao certo quais os interesses desse grupo que se diz independente e sem liderança. Pode ser instrumento de manobra daqueles que estão no poder? Ou seria um grupo movido por um ideal de mudança? Confesso que não sei. Mas nesse último caso reconheço talvez uma crença de não haver outra solução e de não suportarem mais a nação do jeito que está. Compreendo, de certa forma, mas também não concordo. Continuo com meu dilema e minha indignação: o que podemos fazer? Sinto-me impotente, mas acredito que a maior responsabilidade está com as pessoas mais esclarecidas, como eu e como aquele que se interessa pela questão e lê comentários como este. Admirei e fiquei muito feliz com a manifestação popular do ano passado, da forma como foi, com aquela espontaneidade que uniu a insatisfação de tanta gente diferente, no mesmo sentido, em legitima mensagem de que somos fortes e temos a opção de transformar.
    Devemos ter esperança e perseverar, mas quando vemos tantas mazela, tanta corrupção e a cruel falta de vontade política na promoção de melhorias básicas e óbvias para a população…
    O que o povo pode fazer? O que posso fazer? A minha indignação continua. E minha esperança também!

deixe seu comentário