Algo sobre “Black blocs”

 

“Os Black blocs apresentam suas armas, ações intransigentes, máscaras, ódio incandescente, e a determinação de não deixar o capitalismo prosperar.”*

Vemos no Brasil, desde as manifestações de 2013, a atuação de uma tática que se denomina “Black blocs”. Não são um grupo, eles não têm uma liderança (ou dizem que não têm). Têm apenas uma ideologia que é totalmente contrária ao capitalismo e, como protesto, costumam chamar a atenção da sociedade destruindo símbolos do capital e provocando a Polícia e a ordem estatal.

Ganharam ainda mais destaque quando um jornalista de uma rede de televisão brasileira foi atingido por um artefato que teria sido deflagrado por um ativista.

Deveria ser claro para qualquer um, que a ações dos “Black blocs” desafiam a lei brasileira. Há uma grande diferença (enorme) entre manifestar e destruir os patrimônios público e privado e, ainda mais, há uma grande diferença entre manifestar e transformar a cidade em uma praça de guerra. Já tem gente que defende a anistia aos “Black blocs”, imaginando que eles são sinônimos da democracia e lutam contra uma nova Ditadura que estaria por se instalar.

Devem lembrar estas pessoas, entretanto, que na Ditadura não existem opções. É apenas a vontade autoritária de um grupo que se impôs no Poder. Eles têm opções. Vivem num país democrático (mesmo que não acreditem nisso). E o que eles poderiam fazer é aprender a utilizar essa democracia a seu favor. As coisas podem não mudar num estalo de dedos, mas temos e eles também têm esta chance (no mínimo) de dois em dois anos.

Claro que não é fácil vencer Partidos Políticos com ideologias ortodoxas e que estão no Poder há anos. Claro que não é fácil acabar com a corrupção, conseguir mais investimentos para a Saúde, para a Educação… Claro que não é fácil mudar a estrutura da Segurança Pública brasileira. Claro que não é fácil lidar com o poder da mídia, que só publica aquilo que lhe convém. Claro que não é fácil acabar com o Capitalismo, se é que isso atualmente é possível. Mas, há argumentos, há propostas e não é pela força, por mais bem intencionados que estejam, que se deve mudar a sociedade e toda a estrutura estatal existente, quando se tem instrumentos aptos e à disposição para tanto.

O que fazem, da forma que fazem, é crime, e devem ser investigados e punidos, ao final. Logicamente, não devem ser vistos como “não cidadãos”. Não são inimigos, não devemos cogitar o “Direito Penal do Inimigo”. Devem ser respeitados, devem ser tratados na forma que a ordem jurídica determina. Devem ser observados os princípios e regras constitucionais por todos os órgãos estatais, dentre estes a Polícia, uma das instituições alvo dos “Black blocs”. A Polícia deve agir utilizando a força apenas e caso necessário. O extraordinário, neste ponto, também é uma ilegalidade.

Manifestem, sim, manifestem cada vez mais. Mas, manifestação não é guerra. Não é agressão ao patrimônio ou a outro ser humano. Dizem que o Gigante acordou em 2013. Mas ele não acordou com a violência, com a truculência de alguns. Ele acordou pelos gritos pacíficos e indignados de milhares e milhares de pessoas em todo o país que desejam o melhor para esta terra.

*Perdoem-me, Herbert Viana e Bi Ribeiro, tentei fazer uma pequena brincadeira utilizando a ideia da música “Selvagem”, mas, reconheço, não ficou bom.

Thiago Oliveira