Breve pensamento sobre a Saúde e o SUS

A saúde é direito de todos e um dever sacrossanto do Estado, sendo plenamente garantido pela Constituição da República de 1988. Afinal, é consagrado que “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” (Art. 6º).

Tais direitos, sobretudo a saúde, tido como sociais, são aqueles que exigem uma atuação eficiente do Estado em benefício dos mais carentes. Quando nos deparamos com tais garantias temos a certeza de quão linda é nossa Carta Magna; o amante do direito suspira, o descrente debocha e o esperançoso aguarda ansioso o dia em que tudo isso (e mais tantos outros direitos) estará efetivamente presente em nossa sociedade, que será materialmente igual.

A inovação constitucional ao positivar o direito à saúde, algo que não ocorrera nas Constituições passadas, bem como a necessidade da atuação ativa do Estado, levou o cidadão a ter uma posição muito mais crítica em relação à saúde pública. Consciente do seu direito, o brasileiro reivindica saúde e vê no agente político que levanta essa bandeira alguém que deve ser visto com outro olhar.

E por ser um tema tão caro ao brasileiro, a Saúde e o próprio SUS –  Sistema Único de Saúde – são alvos de críticas vindas de todos os lados, de diferentes posições ideológicas, em qualquer região do país. Porém, sem querer relevar possíveis defeitos de instituições do país, não parece a você que o SUS é algo realmente valoroso no Brasil? Em um país com dimensões continentais, sem dinheiro, com infraestrutura precária, o SUS parece seguir forte, se sobrepondo até mesmo a eventuais desgovernos.

O SUS nos salva de uma tragédia ainda maior. Se fosse ele tão inoperante como certas instituições, perderíamos ainda mais vidas nessa tragédia pandêmica. A grandiosidade do Sistema que, mesmo sem um ministro da Saúde de fato, tenta fechar os olhos aos tolos debates políticos polarizados e salva vidas pelas mãos de seus médicos, enfermeiros, fisioterapeutas…

Evidentemente, há inúmeros gestores, sobretudo os municipais, que combatem quase sem recursos o inimigo viral. Aqueles gestores ou profissionais que não se preocupam com ideologia. Porque sabem que ao brasileiro dependente do SUS não interessa a cor da camisa, ou o livro político de cabeceira do outro, o que ele realmente deseja é saúde, é comida, é o mínimo. E esse mínimo é o que o SUS tenta dar com o máximo de esforço de seus profissionais.

O investimento à saúde, fazendo valer o direito consagrado em nossa Constituição, deve existir de forma muito mais robusta. O SUS nos protege de uma tragédia ainda maior através do empenho de seus profissionais. O SUS chega ao país inteiro, facilitando a identificação de casos de COVID-19, sendo um sistema universal, integral e descentralizado. Em relação à universalidade do SUS, sempre vem à tona a comparação com os Estados Unidos, aonde o ingresso ao serviço de saúde gera dívidas pesadas ao cidadão americano.

Assim, não há como não dizer que temos um aliado, tão vítima de alguns péssimos e eventualmente corruptos gestores públicos quanto o cidadão comum, que é o SUS, não é?!

Que o esforço e a vitória do SUS ao final desta pandemia não seja motivo para acomodarmos com aplausos a fraqueza da saúde brasileira e que isso nos faça enxergar que o Sistema é um gigante que, através de uma gestão tripartite eficiente, ajudará o Brasil a tratar seu filho de forma devida, humana, promovendo bem estar e saúde.

Thomaz Guilherme Batista de Oliveira